
Qual seu nome? Júlia Gareti
E sua idade? 29 Anos
Em qual cidade/estado você mora? São José do Rio Preto/SP
Aonde você faz aulas/é professora?
Desde janeiro de 2022, tenho o privilégio de aprender com a maravilhosa Mari, do Voar Sem Asas. Em 2024, a vida me presenteou com a oportunidade de dar aulas na minha cidade natal, José Bonifácio. Para iniciar essa nova fase, agora como professora, escolhi mergulhar na capacitação de professores oferecida pela própria Mari, o que foi fundamental para desenvolver a didática necessária.
1 – Júlia, como você descobriu que queria fazer Tecido Acrobático?
Sempre achei o tecido acrobático lindo, amava assistir apresentações em circos. Contudo, não imaginava que fosse uma prática acessível fora do mundo circense. Em 2021, conheci uma artista aérea treinando na praça do vivendas, aqui em Rp, e tive minha primeira experiência no tecido — foi amor a primeira subida… hehehe. Logo depois, em janeiro de 2022, comecei a fazer aulas com a Mari, do Voar Sem Asas, e desde então sigo vivenciando o tecido diariamente, seja como aluna, artista, ou como professora.
2 – Qual foi sua maior dificuldade no início?
Quando tive meu primeiro contato com o tecido acrobático, eu era sedentária e não tinha alongamento, flexibilidade ou força. Percebi que alguns movimentos seriam mais desafiadores para mim, especialmente os que exigiam flexibilidade, e que a prática do tecido demandava força. Comecei literalmente do zero, então foquei em desenvolver aquilo que estava mais ao meu alcance naquele momento: a força. Descobri que era mais forte do que imaginava e usei isso a meu favor, estabelecendo pequenas metas, como melhorar a sustentação e conquistar a tão sonhada inversão.
3 – Conta um pouco sobre suas apresentações! Sei que você sempre traz temas diferentes! Como funciona seu processo de criação coreográfica?
O tecido me trouxe uma surpresa muito especial: a descoberta do meu lado artístico, que até então eu não conhecia. Foi nas apresentações que aprendi a me soltar e, a cada uma delas, revelar novas versões de mim mesma, como se o movimento fosse desvendando camadas da minha própria essência.
Nesse processo, percebi a força da conexão entre o tecido e a música, que dá forma à apresentação de maneira semelhante a um roteiro de filme: começa leve e introdutório (e nesse momento gosto de explorar subidas diferentes), cresce em intensidade com o desenrolar da história (as sequências vão ganhando intensidade e velocidade), chega ao ápice no grande acontecimento (seja uma queda ou uma sequência de giros) e, por fim, conduz ao desfecho mais suave.

Meu processo criativo se apoia nessa relação. Escolho músicas com diferentes camadas, que exploram variações de intensidade, porque acredito que isso faz toda a diferença para envolver o público e transmitir emoção. Além disso, gosto de representar personagens que refletem aspectos da minha personalidade, criando minhas versões tecidistas de Wandinha, Cisne Negro, Madona, Cigana e Caveira Mexicana, sempre com orientação e dicas da Mari.
4 – Qual foi sua apresentação favorita? Por que?
Essa é uma pergunta difícil, porque cada apresentação guarda um espaço único no meu coração, com suas próprias histórias, desafios e superações. Mas a que realmente marcou minha trajetória foi minha primeira vez em um palco de circo de verdade, em junho de 2025. Ali não estava interpretando nenhum personagem, era simplesmente eu — em minha essência — diante do público, no mesmo palco onde o tecido nasceu. Foi uma experiência transformadora, como se naquele momento eu estivesse celebrando não apenas uma apresentação, mas toda a jornada que me trouxe até ali.
5 – Ju, e como foi a transição de aluna para professora? Como você soube que queria isso?
A transição para professora aconteceu de forma muito natural, mais suave do que eu imaginava. Quando fui convidada para dar aulas na minha cidade natal — que seria a primeira turma de tecido da cidade — senti a responsabilidade e busquei me capacitar, porque aprender e executar movimentos é uma coisa, mas ensinar exige uma abordagem totalmente diferente. Ao realizar o curso da Mari, comecei a compreender melhor as necessidades dos alunos e, ao mesmo tempo, revisitei minhas próprias dificuldades do início da prática. Esse processo tornou tudo mais orgânico e, sem perceber, já estava dando aulas. Hoje, não me vejo fora desse papel de professora.

6 – Você prefere estar no palco ou ser professora? Fale um pouco sobre.
Amo estar no palco e sentir a energia, a magia de me apresentar. Mas, ao longo da minha trajetória, descobri também uma paixão pelos bastidores: acompanhar minhas alunas, observar todo o processo, o esforço e a dedicação de cada uma, e depois prestigiar o brilho delas no palco. A alegria que demonstram após cada apresentação me traz uma sensação profunda de dever cumprido, de que estou contribuindo para formar artistas completas — muitas vezes ainda mais capazes do que eu.
7 – Compartilhe algo que é essencial em aula pra você!
Considero o aquecimento e a preparação do corpo fundamentais para a prática do tecido. Muitas vezes esse cuidado é negligenciado, mas ele faz toda a diferença na execução dos movimentos, trazendo mais limpeza e, principalmente, segurança. Com um corpo bem preparado, conseguimos evitar lesões e garantir uma evolução mais constante na nossa prática.
8 – Quais são suas metas em relação ao Tecido para esse ano de 2026?
Este ano meu foco é aprimorar a limpeza e a técnica dos meus movimentos, buscando sempre leveza e fluidez. Como gosto muito de giros, acredito que esse trabalho fará diferença na minha performance, além de me permitir conquistar movimentos específicos, como a Hélice. Também estou dedicada a melhorar meu condicionamento físico, resistência e força, com o objetivo de participar do Circo Can, em Novembro. Essa experiência será uma oportunidade valiosa para ampliar meu conhecimento e levar ainda mais aprendizado para minhas alunas.
9 – Pra finalizar, que conselho você daria para alguém que quer começar a praticar ou que está nas suas primeiras aulas?
Não desista!!!! O tecido é um processo que exige tempo, dedicação e cuidado, além de constantemente nos desafiar a sair da zona de conforto. Acredito muito na ideia de evoluir 1% a cada dia, e por isso sempre reforço a importância de respeitar o próprio ritmo e valorizar cada etapa da jornada.
10 – Algo mais que gostaria de acrescentar?
A arte de voar só alcança altura quando encontra apoio para se sustentar. Seja o apoio na vida de um artista, com um gesto, uma palavra de incentivo, ou até mesmo uma simples curtida nas redes sociais.
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