Entrevista com Tecidista – Diego Brigido

Qual seu nome? Diego Brigido


E sua idade? 20 anos


Em qual cidade você mora? Mirassol-SP


Aonde você treina/dá aulas? Treino com a Mari (Voar Sem Asas) em São José do Rio Preto e dou aulas de circo na Maple Bear Rio Preto

1 – Você é muito jovem e já tem uma trajetória extensa no mundo do Circo. Com quantos anos começou e o que te levou a ter interesse?

Eu comecei a minha jornada no circo com uns sete anos de idade em janeiro de 2013, em uma academia de dança aqui da minha cidade com uma professora incrível ,que inclusive trabalhava com a Mari em um projeto social da minha cidade na época, porém eu não sabia dessa informação, só fui descobrir esses tempos agora.
O que me levou a procurar a modalidade circense? Bom, pergunta difícil. Eu sempre fui artista desde que eu nasci, a minha família fala que eu sempre fui diferente, e uma pessoa que eu sempre gostei de dançar acompanhando na TV foi a Xuxa.

Ela tem um disco que chama Xuxa só para baixinhos 5 no qual o tema é circo, e eu fiquei encantado quando eu vi algumas crianças fazendo tecido na música “um lindo arco-íris”, logo falei pra minha mãe que eu queria fazer aquilo, nós começamos a procurar lugares e aqui na minha região por ser interior é bem pobre nesse quesito. Porém nós descobrimos essa academia de dança, foi quando comecei a fazer as aulas, desde então nunca mais parei.

2 – Como seus pais reagiram ao seu interesse pelo Circo? E como lidam com isso hoje?

A minha família sempre foi a minha base desde sempre no circo, o meu pai e a minha mãe sempre me apoiaram, vão nos meus espetáculos e assistem todos.

A minha mãe é fã número um, ela leva todas as amigas também, uma loucura, mas eu amo. Eu acho que uma das apresentações que mais marcaram ambos foi em 2023 quando fizemos o espetáculo “ASTROS” e eu fiquei de homenagear uma pessoa muito importante no mundo pop, a eterna figura incrível que eu sou fã que foi Michael Jackson, e o meu pai é muito fã, nesse dia a lágrima escorreu. Hoje em dia está tudo bem, virou minha profissão eles me apoiam, me levam pro trabalho, me buscam altas horas quando eu chego de algum evento na estrada.

3 – Qual foi seu maior desafio no início, mesmo sendo tão jovem?

O meu maior desafio no início foi lidar com as críticas e os preconceitos que ainda existem, já sofri bullying na escola por conta disso, mas nunca me abati.

4 – Hoje o aéreo tomou grande parte da sua vida. Conte mais sobre a escolha da faculdade e a transição de apenas aluno para agora também professor de Circo!

Quando eu estava no 3º ano do ensino médio, a pressão da minha antiga escola sobre nós estudantes era muito forte, sobre ter que escolher uma faculdade pública, por isso e aquilo, você tem que saber o que você quer e talz, mas eu sempre quis a Educação Física por conta do circo.

A transição de aluno pra professor é muito doida, porque você começa a enxergar coisas que você nem imaginava, e a minha formação na faculdade ainda me ajudou a melhorar esse olhar sobre o outro, sobre a responsabilidade que você tem que ter por aquela pessoa e todos os desafios que você deve encarar porque não é fácil. Eu sou muito grato por todas as oportunidades que o circo já me deu, já me levou a vários lugares do Brasil, eu já fiz Capacitação de Professores com uma das maiores professoras Mariane Cerilo pros íntimos Voar Sem Asas, estive também agora em novembro do ano passado no Circocan em Curitiba, tenho contatos virtuais com pessoas de norte a sul do país, amizades no Cirque du Soleil e quem sabe um dia não sou eu lá!

5 – Sabemos que você gosta muito de estar no palco e tem uma presença vibrante! Como é seu processo de criação?

O palco pra mim é um lugar sagrado, eu amo estar nele e acho que é o momento que eu sou mais eu possível, eu amo criar loucuras e fazer reflexões, fazer as pessoas refletirem sobre causas e movimentos sociais através da minha arte.
O meu processo pra uma criação é muito doido, eu começo a pensar nas ideias, sobre o que eu quero falar naquele momento e tem que ser muito atual, porque eu sou assim ao mesmo tempo que eu quero uma coisa hoje daqui dois dias eu não quero mais, então tenho que estar muito antenado com tudo.

Gosto de sentir a música, qual movimento eu posso incluir pra deixar ainda mais grandioso, seja um braço lento, seja uma batida com o corpo, seja uma dança, enfim eu gosto de sentir. Na minha última Mostra, no ano passado, eu coloquei duas performances incríveis, uma falava sobre a pessoa estar sofrendo e ao mesmo tempo parecer tudo bem por fora, e a outra é totalmente o oposto defendendo o funk, que é uma causa, um movimento que foi muito massacrado no Brasil e hoje está aí no mundo, os maiores artistas cantando em vários idiomas. Pra esse ano estamos preparando aí várias surpresas então vem aí, vai ser incrível!

6 – Qual foi sua performance favorita? Conte-nos mais sobre ela!

Nossa! Essa é difícil, hein? Tem tantas incríveis nesses 12 anos fazendo essa arte tão linda!

Eu acho que pra mim a maior de todas foi Michael Jackson, a primeira vez apresentando tecido em um teatro, quando eu recebi a mensagem que eu seria Michael Jackson eu fiquei assim “meu Deus socorro!”.

De primeiro momento eu fiquei com medo, mas depois me joguei, era a realização de um sonho não só meu, mas de uma equipe toda e foi muito lindo toda a composição, todo processo, toda energia que a equipe se colocou em prol de uma causa só, e viver esse ícone, que eu sou muito fã foi grandioso demais.

Outro momento muito marcante pra mim foi a minha apresentação mais recente com a minha amiga, irmã, também professora de circo e parceira de cena Isadora, onde nós éramos os Escorpiões do espetáculo “RECUERDOS”. Foi mágico e a minha primeira vez fazendo algo em dupla com uma pessoa tão legal e importante pra mim, eu amei.

7 – Qual seu maior sonho em relação ao Circo? Aonde você se vê daqui 5 anos?

O meu maior sonho com circo é o Cirque du Soleil, acredito que esse deve ser o de todos artistas circenses. Estamos caminhando de pouquinho em pouquinho para chegar lá, mas no Brasil tem ainda algumas coisinhas que eu gostaria de fazer antes de viajar o mundo todo.
Uma delas é a Escola Nacional de Circo no Rio. Eu prestei agora em 2024 mas não rolou, fiquei em quinto suplente, mais de 300 candidatos, eu fiquei entre os 60 primeiros colocados na posição 59º.

Pra mim foi bom saber que eu estou entre essa galera, e agora é melhorar pra próxima turma, eu entendi que não era o momento e está tudo bem, quem sabe na próxima, nós não podemos desistir, né ? Afinal, somos brasileiros e não desistimos nunca.
Daqui cinco anos eu já vou estar formado na faculdade, pretendo também estar formado na escola Nacional de Circo, e já pensou estar no Cirque du Soleil? Eu aprendi uma frase: “não custa sonhar tão alto pra caramba né?”.

8 – Qual seu conselho para quem tem o sonho de ter o Circo como carreira?

O meu conselho é não desistir, porque fácil não vai ser, é uma carreira que demanda muito tempo de treino, você tem que abdicar de muitas coisas, fazer aulas, que é a melhor maneira de você adquirir bagagem, fazer treino de fortalecimento, isso é muito importante, e se dedicar. Eu sendo jovem vejo que abdico de muitas coisas e momentos que eu poderia estar vivendo pra correr atrás do meu sonho. Muitas vezes não vamos estar com a nossa família em algumas datas importantes por conta de trabalho ou da distância ,e as vezes é difícil, mas está tudo bem e eles vão te entender.

9 – Algo mais que gostaria de acrescentar?

O Circo é mágico, Circo é minha vida, Circo é alegria, Circo é dedicação, Circo é família, o Circo é amor.
Hoje eu tenho uma família que o Circo me deu, família Voar Sem Asas, que atende todas as minhas loucuras, e está comigo pro que der e vier. No ano passado eu recebi um convite pra fazer abertura da Semana Acadêmica na minha faculdade e logo liguei pra Mami (Mari), e ela super topou, chamei a Isa também e foi incrível, foi mágico.

PARA ACOMPANHAR OS VOOS DO DIEGO, SIGA NO INSTAGRAM @DIEGOBRIGIDOO

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe:

Veja também:

Voar Sem Asas
Mariane Cerilo

ENTREVISTA COM TECIDISTA – JÚLIA GARETI

1 – Júlia, como você descobriu que queria fazer Tecido Acrobático? Sempre achei o tecido acrobático lindo, amava assistir apresentações em circos. Contudo, não imaginava que fosse uma prática acessível

Leia mais »
Voar Sem Asas
Mariane Cerilo

ENTREVISTA COM TECIDISTA – AMANDA WAHBE

1 – Amanda, como você descobriu o Tecido Acrobático?Durante um evento em que teve uma apresentação. Fiquei encantada e quis experimentar, não consegui de imediato, mas assim que ajustei minha

Leia mais »

Este site usa cookies para garantir que você tenha uma melhor experiência em nosso site.