ENTREVISTA COM TECIDISTA – RAFAELA PIONER

1 – Rafa, como foi sua primeira experiência com o Tecido Acrobático e a dança aérea? O que te fez buscar essa modalidade? 

Minha primeira experiência foi com 8 anos de idade, por pura curiosidade mesmo. O contato foi com dança aérea, então explorei tecido, lira, trapézio e argolas, mas o que realmente acendeu um quentinho no coração, foi o tecido acrobático. De lá pra cá, fiquei apenas 1 ano sem contato. 

Lembro de pensar, enquanto criança: “quero fazer algo que ninguém faz’’, ou coisas do tipo: “isso aqui é diferente de tudo que já fiz”. Isso me instigou! 

2 – Qual era sua maior dificuldade no início? 

A chave de cintura? Vale? HAHAHA. Na época em que iniciei, não existiam educativos, não existiam várias formas de montar um mesmo movimento, então eu tive bastaaaante dificuldade. A parte boa é que hoje eu amo e me empenho muito pra ensinar ela. 

Fora isso, lembro que tinha muita dificuldade (e tenho até hoje), de aprender só vendo a Profe ou uma colega fazer as movimentações. Foi fazendo aula e me tornando Profe (principalmente) que percebi que o meu jeito de aprender era fazendo, era testando, errando e acertando. 

3 – Conta pra gente como foi a transição de praticante para professora. 

Com 15 anos, fui convidada pela minha professora da época, a auxiliar em algumas turmas, em função da minha prática e experiência de um tempo já. 

Além disso, já notava que as colegas sempre vinham me pedir dicas de como fazer, me pedir uma ajuda aqui e outra ali. Então foi um processo até “natural”, eu diria. Sempre amei ajudar, e no caminho, percebi que amava ensinar!

Com 15 anos, eu estudava pela manhã, dava aulas à tarde e fazia minhas aulas de dança aérea, à noite. 

Nunca mais parei de dar aula! Se tornou minha profissão! 

4 – Em que ano você abriu seu estúdio? Como foi viver essa experiência de ter seu próprio espaço? 

Trabalho com Dança Aérea há 15 anos, e há 12 anos de forma autônoma, mas foi só há 6 anos que abri minha escola, em Agosto\2020, em plena pandemia. 

Essa experiência foi a maior loucura da minha vida, mas com certeza, a melhor escolha que fiz! Em meio a pandemia, foi tudo muito desafiador, mas me blindou de uma forma jamais vista. Hoje considero que “se passei pela pandemia, passo por qualquer coisa”, HAHAHA. Claro que é modo de falar, mas sinto que superei algo considerável, enquanto escola.

Ter meu próprio espaço é dar asas não só aos meus sonhos, mas aos meus valores.

 Ensinar com técnica e embasamento, ter saúde e segurança como prioridade, dar autonomia às alunas, ensinar “somente” dança aérea (sem precisar ensinar outras modalidades junto), acolher as alunas, e não ser uma escola que prioriza performance, mas sim, a vida real, aquilo que cabe na rotina de uma mulher normal, assim como você, e eu. 

Me considero uma profissional de sucesso, a escola me trouxe isso! 

5 – Se você pudesse dar alguma dica essencial pra quem quer abrir seu próprio estúdio, qual seria?

Cálculos são importantes sim, mas não são tudo! Acredito que o grande segredo está em continuar nos dias ruins. A constância dos dias ruins, traz o sucesso. Nos dias bons, é tudo festa, né?! HAHAHA.

Outra dica (que gostaria muito que tivesse me sido dada), é conversar, trocar, ou até ter um\uma mentora para te direcionar, acredito que vale cada centavo. Não fazer tudo sozinha, sabe?!

Esse é um assunto que eu dissertaria por horas, na verdade. Mas essas duas coisas, são imprescindíveis! 

6 – Sabemos que você é mamãe da linda Maria! Como foi sua gestação? Você conseguiu praticar? E como era para dar aulas?

Sim, Maria faz 2 anos em Agosto deste ano. Minha gestação foi super tranquila e saudável. Treinei a gestação inteira, tanto dança aérea, quanto crossfit, na época. Me sentia linda, forte e muito capaz! 

Segui dando aulas até as 36 semanas, e foi super tranquilo! Foi legal que aprendi cada vez mais a verbalizar o aprendizado, ao invés de subir e mostrar sempre. Claro que também tive o privilégio de alunas fantásticas que queriam me poupar esforço, hahaha. 

Mas, em geral, fui uma grávida ativa, saudável e segui com a vida normal.

Tenho, pelo menos, uma gestante por ano, desde 2022 com a gente, na escola, e eu amo! Dar aula pra gestantes é o máximo, eu amo as possibilidades que isso traz. Aliás, quem é gestante, recomendo super inverter no nó\trança, dá um alívio enoooorme! 

7 – Rafa, você é profe, mãe, empresária. Como é conciliar tudo isso? 

Então, eu concilio tudo? A verdade é que eu tento, sim! Mas acredito que não exista um equilíbrio exato, tem dias que priorizo uma coisa, mês que priorizo outra coisa e assim vou indo. 

Hoje sou muito mais mãe e empresária. Mas isso porque já fui minha mais profe e empresária durante anos. E assim vai indo, vou conciliando, vendo qual lugar precisa mais de mim e independentemente disso, sempre mostrando pra minha filha que dá sim pra ir atrás dos meus sonhos e ser mãe dela, ao mesmo tempo.

Todo dia é desafiador, mas todo dia eu sigo tentando. Porque eu amo ser mãe da Maria, amo minha profissão e essas duas coisas podem SIM, coexistir! As duas coisas me preenchem e fazem a mulher realizada que sou. 

O foco não é perfeição, é ser real, é ser presente. Coloco isso na cabeça e vou! 

8 – Que conselho você daria para alguém que quer começar a praticar ou que está nas suas primeiras aulas?

Vai com medo e vergonha MESMO. Tudo que sai da nossa rotina, gera desconforto, mas isso não necessariamente significa algo ruim, se desprenda dessa ideia! 

As primeiras aulas podem ser surpreendentes, incríveis ou não! E tudo bem, se permita experimentar por pelo menos um mês, antes de tomar uma decisão. PROMETO que você não vai se arrepender! 

9 – E que conselho daria, em especial, para as professoras que estão começando agora, que estão no início da sua carreira? 

1. A constância vale mais do que o talento! 

2. Ser professora vai muito além de dar aulas, e quanto antes você acessar isso, melhor!

3. No final do dia, faça sempre uma avaliação das suas aulas e seja sincera consigo! 

4. Todo esforço compensa muito! É muito gratificante ensinar alguém! 

10- Algo mais que gostaria de acrescentar?

Sim! Queria dizer: contem comigo. Independente se tu és aluna, se tu é profe, ou se é só uma pessoa curiosa, eu amo ajudar, eu amo trocar e eu amo conhecer pessoas novas! 

Podem me chamar no instagram, no whats, ou até por chamada de vídeo. Sei que é desafiador acreditar na bondade das pessoas – no mundo em que vivemos, mas eu realmente faço isso de coração, eu gosto! 

Dúvidas, partilhas, trocas, estou aberta a tudo! 

E a Mari, meu mais profundo agradecimento e abraço, por esse lugar para contar um pouco de mim, e por todas as trocas até aqui.

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