
Qual seu nome? Amanda Lima
E sua idade? 39 anos
Em qual cidade/estado/país você mora?
Moro em Veneza na Itália.
Aonde você faz aulas/é professora?
Atualmente sou aluna da escola de arte circense Il Tendone dell’Arte e sou professora na Polisportiva Antares.
1 – Amanda, como você conheceu o Tecido Acrobático?
Conheci o Tecido Acrobático em um espetáculo de dança que fui assistir em 2009 com a LaCrista escola de dança e tecido no Rio de Janeiro. Me lembro que vi e achei tão mágico que na semana seguinte fui fazer uma aula experimental e me apaixonei completamente.
2 – Qual foi sua maior dificuldade no início?
Acredito que a flexibilidade. Quando criança não gostava de esportes e por causa disso, era sempre a última a ser escolhida para qualquer jogo na escola. Isso me fez crescer com a ideia de que nunca seria capaz de fazer nada com o corpo. Nas três primeiras aulas, eu não conseguia subir no tecido e depois com a evolução dos exercícios, percebi que era dura como um pedaço de madeira.
3 – Amanda, e como foi a transição de aluna para professora? Como você soube que queria isso?
Com o passar dos anos fazendo aulas, fui me apaixonando cada vez mais pela técnica aérea e no ano de 2011 entrei para o Projeto Pedagógico do Unicirco Marcos Frota onde fiquei até o ano de 2015. Eu frequentava as aulas do Unicirco e da LaCrista, até que um dia minha professora da LaCrista me perguntou se eu gostaria de fazer um estágio com ela. Sempre fui muito observadora, gostava de ensinar e fiquei muito feliz com a proposta e aceitei. Passei um ano fazendo assistência nas aulas e pude aprender muito nesse período. Neste mesmo ano eu trabalhava em uma escola como professora de ciências e percebi que precisava percorrer um caminho para mudar de profissão. Deixei o trabalho e além da escola onde fazia aulas e assistência participei do curso profissionalizante do Unicirco Marcos Frota. Foi um ano de dedicação exclusiva a minha paixão pelo tecido e o circo. No ano seguinte comecei um outro trabalho, desta vez em um laboratório de análises clínicas. Entre o trabalho novo que ocupava tanto tempo da minha vida e uma lesão que me tirou por um período o movimento da mão esquerda precisei deixar as aulas de Tecido cada vez mais de lado, o que me fez ficar muito triste. Entre deixar as aulas e a Pandemia, passei três anos parada e na Itália retornei. Dessa vez muito decidida. Já tinha mudado a minha vida e aqui teria a situação perfeita para finalmente iniciar meus primeiros voos como professora. Comecei a estudar mais, fiz cursos de formação aqui e também o curso de capacitação da Mari que já admirava muito através da internet e quando soube que eu poderia ter um pouquinho dela na minha formação fiquei muito feliz.

4 – Quando você foi morar fora e como foi encontrar espaços para continuar treinando/ensinando?
Cheguei na Itália em 2020, fiz aulas experimentais e comecei a fazer aula em uma escola em Verona que infelizmente não tinha altura, mas era um inicio para uma pessoa que tinha acabado de chegar. Quando tudo parecia perfeito, a pandemia chegou e eu só consegui fazer três aulas, mais uma vez eu precisei parar.
Quando tudo foi liberado, encontrei uma escola em Veneza, mas vivi meu primeiro ano de aula com muita tristeza, não conseguia mais subir, o tecido não era como no Brasil e escorregava muito. Era um novo início que parecia ser do zero. Fiquei dois anos por lá e a escola fechou. A busca pra encontrar espaços não foi fácil, encontrei outra escola com pouca altura, até que finalmente encontrei Il Tendone dell’arte onde descobri um belíssimo ambiente com altura onde posso treinar e me expressar de forma artística com os espetáculos
5 – Como é ensinar aéreos na Itália? Qual seu maior desafio aí?
Ensinar aqui não é tão simples, é necessário ter formação reconhecida no território Italiano. Posso considerar essas formações desafiadoras, pelo fato de que é preciso ter conhecimentos específicos de anatomia por exemplo e pelo fato de ser brasileira preciso traduzir termos técnicos para o italiano que não é simples.
Outro desafio é encontrar trabalho. Muitas vezes as escolas tem como professor as mesmas pessoas que fundaram e em raríssimos casos contratam outra figura de professor. Outro desafio é encontrar lugar com altura adequada para a prática do tecido. Sou muito sortuda por ter encontrado um local com uma altura excelente para trabalhar. Me sinto muito feliz com o espaço e meus alunos. Cada vez que saio de lá, me sinto carregada de energia positiva e privilegiada por poder fazer o que sonho há anos, mesmo que ainda não seja meu único trabalho.

6 – O que você vê que é mais diferente entre fazer aéreos no Brasil e fora?
Percebi aqui como aluna dos lugares que frequentei, que a grande maioria dos alunos se divide em dois grupos: das pessoas que fazem tecido para relaxar depois do trabalho e pessoas que fazem, mas não tem a paixão de aprender, querem ir imediatamente para o nível avançado sem ter aprendido as bases e ainda reclamam quando o professor repete coisas para fixar ou limpar o movimento. Percebo que isso cria um ambiente muitas vezes não tão amigável e algumas vezes muito competitivo.
Outra coisa que observei é que muitas vezes as professoras ao perceber que um aluno tem mais força o considera avançado, pula as bases e já ensina coisas mais complexas. Acho isso estranho e arriscado.
Quando comecei era tudo muito novo e pelo menos na minha escola, existia vontade de aprender e a paixão pelo que se fazia. Cada aula, cada repetição era prazerosa e cada mudança de nível de dificuldade era motivo de felicidade. Não existia pressa, existia vontade de aprender o máximo que se podia.
A parte interessante é que tem algumas escolas escolas são voltadas para um estilo mais contemporâneo.
O fato de estar na Europa também ajuda a ter contato com muitos tipo de linguagens diferentes e com artistas renomados tanto italianos quanto de outros países que fazendo workshops muito interessantes e enriquecedores.
7 – Quais são suas metas em relação aos aéreos para esse ano de 2026?
Estou terminando um curso de ginástica para crianças, não é relacionado ao tecido, mas como tenho minha turminha kids acho importante buscar informações de como trabalhar de forma mais específica e divertida com eles.
Penso também em fazer workshops de pessoas que admiro dentro da área.

8 – Pra finalizar, que conselho você daria para alguém que quer começar a praticar ou que está nas suas primeiras aulas?
Não tenha pressa. Tudo que aprendemos na nossa vida precisa ser feito com amor, cuidado e paciência. Respeite o processo de aprendizado com cada evolução no tempo necessário, muitas vezes o seu tempo vai ser diferente do de outra pessoa, mas não tem problema. Você vai chegar lá na frente com muito mais segurança, força e beleza nos movimentos. Tudo no tecido é lindo, qualquer figura ou queda tem o seu valor.

9 – Algo mais que gostaria de acrescentar?
Ao encontrar dificuldades não desista. A internet está cheia de vídeos de pessoas experientes que fazem tudo parecer muito simples, muitas coisas com cortes que fazem parecer que todos ao nosso redor são perfeitos. Não se preocupe se achar algo difícil. O tecido não é fácil, te abraça forte e te machuca, mas quando você compreende a interação do seu corpo e o aparelho, tudo acontece de forma cada vez mais fluída, natural. Tenha paciência com o seu percurso!
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