ENTREVISTA COM TECIDISTA – MONICA BRAGA

Qual seu nome? Monica Carvalho Braga

E sua idade? 35 anos

Em qual cidade/estado você mora? Ribeirão Preto-SP

Aonde você treina/dá aulas? Espaço aérea Acro, Pole e Circo, O Bem Viver – educação artística e humanidades, e Espaço Crescer – Educação Infantil

1 – Monica, conta pra gente como foi o seu início nos aéreos. O que te levou a buscar essa modalidade?
Iniciei minha prática no pole em 2013 e foi uma virada de chave na minha vida!!!! Na adolescência não praticava nenhum exercício,vivia entre indas e vindas na academia mas sem nenhuma grande constância. Mas no último ano da faculdade decidi experimentar algo novo e desde então não parei mais,rs!O circo entrou na minha vida em 2016,quando iniciei no tecido e migrei 100% pro circo!!!!

2 – Qual era sua maior dificuldade no começo?
No tecido eu comecei com uma certa consciência devido aos anos de pole, mas sem sombras de dúvida minha maior dificuldade foi subir!!!hahaha. No pole eu demorei mais de 1 mês pra conseguir tirar os dois pés do chão!!! Lembro de me frustrar MUITO porque todo mundo parecia conseguir muito fácil e eu não! Mas acho importante ressaltar que eu vinha de uma vida 100% sedentária e nunca tinha tido contado com nada parecido, então minha evolução foi bem lenta, fato que hoje eu entendo que é normal e muito particular de cada um!
Quando migrei pro tecido não demorei tanto pra subir, mas a chave de cintura…kkkkkk….foram meeeeeses de luta!!!! E hoje eu AMO minha chave!

3 – E qual a sua maior dificuldade no aéreo hoje em dia? E o que você tem mais facilidade?
Eu tenho mais facilidade com sequências e educativos, memorizo relativamente bem e gosto de entender como, quando e onde chegamos e saímos de cada figura!
Já minha maior dificuldade é a inversão com os braços estendidos hahahaha meu nemesis e sonho de consumo!!!! Confesso que acabo fugindo um pouco dos exercícios por medo de me lesionar (ombros),pois já tive uma tendinite importante que me afastou por 7 meses e foi uma época muito triste e de muito estresse, então fico receossa (mas sei que o que eu preciso são EXATAMENTE os educativos pra progredir com segurança).

4 – Mo, como foi a transição de apenas ser praticante para se tornar professora?
Foi algo bem orgânico eu diria!!!! Eu SEMPRE gostei de ajudar nas aulas, dar dicas para meus amigos, repassar o que os professores falavam e eu acabo aprendendo MUITO repassando com outras pessoas, então eu meio que sempre me “enfiei” dando dicas hahaahahah.

Mas não posso deixar de dizer que quem ajudou e me impulsionou nesse processo foi a Jaque da escola Nós de Circo,em Bragança Paulista! Morei lá 2021,durante a pandemia (sozinha sem o marido e os cachorros 😢) e nas aulas com a Jaque e a Ju foi que me soltei mais como “ajudante” e recebi muito incentivo da Jaque quando disse pra ela que gostaria de ser auxiliar nas aulas! Foi com ela que fiz meu primeiro curso de metodologia no ensino de tecido e de lá pra cá não parei mais,rs. A Jaque enxergou em mim algo adormecido, acoado no canto, e me ajudou a dar vida a isso, sabe? MAAASSS a vida é cheia de surpresas e acabei voltando pra Ribeirão e para as escolas em que eu treinava e na cara e na coragem verbalizei que gostaria de ser professora! Iniciei na já falecida escola Backstage e aos poucos fui migrando para o Aérea!
As vagas nos demais espaços foram acontecendo por indicações nesse último ano.
Acho bacana ressaltar também que os professores da antiga Backstage também eram os professores do Aérea e aqui em Ribeirão vejo a galera do circo bem unida e parceira, então eu sempre fui bem acolhida e recebida como aluna e depois como professora! Meus profes hoje são meus amigos e me sinto em casa estando no Aérea!

5 – O que você mais gosta no fato de ser professora de Aéreos? E qual seu maior desafio?
Com os alunos adultos o que eu mais gosto é poder ajuda-los a descobrirem totalmente o potencial que eles tem!!! Poder auxiliar nesse processo de auto-descoberta e superação é muito gostoso! Fui e ainda sou uma aluna muito medrosa, rs, então me identifico muito com os alunos iniciantes, seus receios e dificuldades, e sei que é sim possível evoluirmos na prática, mesmo no circo lazer! O circo, os aéreos, é sim pra todos!
Agora com as crianças eu me divirto muuuuito, consigo explorar mais brincadeiras e jogos lúdicos e ver a carinha deles se divirtindo não tem preço!
Acredito que meu maior desafio hoje, com os adultos, é dar conta de ensinar mais de um aparelho em uma mesma aula. Gosto dessa versatilidade, mas acho desgastante pensar em tantos detalhes ao mesmo tempo.
Com os pequenos eu percebo que hoje, devido a inúmeras mudanças na nossa sociedade, eles estão mais voltados para atividades virtuais e isso impacta diretamente no desenvolvimento motor e percepção corporal, então sinto que eles precisam de mais estratégias e outras atividades mais direcionadas para estes pré-requisitos, sabe? Esquema e imagem corporal, noção espacial e etc.

6 – Fala pra gente um pouco sobre suas apresentações! Sabemos que você vai estar no Festival Campineiro agora em Outubro de 2025. Como você cria suas coreografias?
AI ESTOU ANSIOSAAA!hahahaha será minha primeira apresentação neste tipo de evento.
Eu AMO apresentar,o frio no estômago antes e a adrenalina depois são um combo bem gostoso pra mim!
O meu processo de criação depende muito da música, então geralmente a música é a primeira coisa que decido e depois a sequência. Eu gosto de coreografias relativamente simples quanto ao nível de complexidade, gosto de movimentos que me sinto segura em realizá-los e, via de regra, gosto de finalizar com quedas, heheeheh. Tento sempre combinações diferentes pra sentir o que melhor flui com a música e eu quase sempre escolho elementos mais “dramáticos”: é uma jogada de cabelo, uma encarada no público hahaha, uma mão se direcionando ao aparelho…Quando tudo está mais orgânico eu até consigo usar a mesma coreo com outras músicas e propostas, mas via de regra o primeiro match é o mais preciso!

7 – Qual foi sua apresentação favorita e por que?
Nossa essa é difícil…hahahahaha. Em cada uma tem um ponto diferente que a torna única e especial: minha primeira apresentação foi em um teatro, a segunda eu errei a montagem de uma queda, tive um branco e travei mas acabei entrando no palco de novo e consegui completa-la, já apresentei com meu marido uma música super dramática hahaha, já apresentei a música tema de um dos meus seriados favoritos…enfim! Acho que posso dizer que as que mais se destacam são as de halloween, pq eu amo e dou o sangue na caracterização sempre hahaha, a coreografia da música “desconstruindo Amélia”, da Pitty, pela letra forte e a mensagem de empoderamento que ela passa (e eu acho que a apresentação que fiquei mais bonita!hehehe) e a apresentação com meu marido,que sempre me apoia e topa minhas ideias!

8 – Você prefere estar no palco ou ser professora? Fale um pouco sobre.
Eu curto as duas coisas na mesma proporção! Eu fico tão animada quando vejo minhas alunas se apresentando, vibro taaaanto, e me dá a sensação de dever cumprido! E quando tô no palco me sinto capaz, me sinto pertencente a tudo isso,sabe? Então não consigo escolher,rs.
E aqui no Aérea eu vivencio isso em todo espetáculo: eu sou a professora e também sou a aluna, então é muito natural pra mim curtir as duas coisas.

9 – Que conselho você daria para alguém que quer começar a praticar ou que está nas suas primeiras aulas?
NÃO DESISTA se te deixa feliz! Se seus olhos brilham sempre que você olha para o aparelho, significa que você se conectou de alguma forma, e não tem nada mais bonito do que se encontrar e se conectar nesse mundo! Não seja tão duro consigo mesmo, curta o processo, ser praticante de tecido e aéreos é muito mais do que uma pose ou uma queda, é se permitir voar, se desafiar e se divertir!!!

10 – Algo mais que gostaria de acrescentar?
Queria agradecer o convite e a oportunidade de falar um pouquinho sobre a minha trajetória nessa prática que eu AMO tanto e que me transformou para sempre!!! A Monica criança JAMAIS imaginaria o que a Monica adulta faz no ar (mesmo ela ainda não sabendo dar uma estrelinha sequer no chão, hahahaha).
O circo, o tecido, é pra todos, é onde os sonhos e as possibilidades se tornam realidade!!!!

ACOMPANHE OS VOOS DA MONICA NO INSTAGRAM @MO_NICA.BRAGA

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe:

Veja também:

Voar Sem Asas
Mariane Cerilo

ENTREVISTA COM TECIDISTA – JÚLIA GARETI

1 – Júlia, como você descobriu que queria fazer Tecido Acrobático? Sempre achei o tecido acrobático lindo, amava assistir apresentações em circos. Contudo, não imaginava que fosse uma prática acessível

Leia mais »
Voar Sem Asas
Mariane Cerilo

ENTREVISTA COM TECIDISTA – AMANDA WAHBE

1 – Amanda, como você descobriu o Tecido Acrobático?Durante um evento em que teve uma apresentação. Fiquei encantada e quis experimentar, não consegui de imediato, mas assim que ajustei minha

Leia mais »

Este site usa cookies para garantir que você tenha uma melhor experiência em nosso site.